"Às vezes, a paz de um sorriso pode desarmar uma guerra"
C

Sua mente estava totalmente bagunçada. Parecia até que acabavam de depositar um vasto lixão naquele breve espaço que dominava seu cérebro. Em frações de segundos, seu intelecto virara um grande alojamento de imundices tolas, repugnantes e sórdidas. Seu olhar permanecia parado, fixo em um exato ponto, irreconhecível. Tentava encontrar sua razão, mas a única coisa que conseguia fazer era agir impulsiva e emotivamente, como uma criança, que não tem noção suficiente do mundo em que vive. Andava de um lado para o outro, na tentativa de encontrar explicação para o que estava acontecendo em sua vida. Pensava, pensava, e a única conclusão que tirava era vazia, oca, não a levava a lugar algum, apenas ao horizonte- que mais parecia um abismo. Estava atolada em indecisões, decepções, amores, paixões. Não sabia o que queria, porém, bem lá no fundo, já estava bem decidida. Pois então, punha-se a chorar. Chorar pelo rancor, pelo ódio, pelo sentimento de traição que se esparramava dentro daquele coração. Mas também, pelo amor, pelo afeto cheio de ardor que possuía com relação a algumas pessoas. Nem ousava pensar no que seria sua vida dali pra frente. Provocava dor, desespero, ou até o que poderíamos chamar de “claustrofobia" - pois ela temia que no futuro ficasse presa às antigas lembranças, de tal modo que não pudesse tocar em frente, e ficasse com os pés pregados ao chão, sem poder se movimentar. Àqueles olhos, o destino de seus dias parecia temeroso, assombrador, cheio de obscureza, desgraça e inglóriaA garota parecia uma presa correndo o mais rápido possível de seu audacioso predador, mas não conseguia achar um lugar que pudesse ficar segura, fora do alcance de qualquer um, por isso temia. Temia não encontrar escapatória. Temia até mais que podia.Sentia-se afogada, com água em estado de ebulição nos pulmões, e sufocada pelo próprio vento que batia em seu rosto. Era pressionada a decidir algo brevemente, antes que a areia da ampulheta finalizasse seu ciclo, antes que o relógio completasse uma volta de 360º, antes que qualquer um mudasse de ideia, e consequentemente, a fizesse mudar também.

 

Sunday, February 19th 2012

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Sua mente estava totalmente bagunçada. Parecia até que acabavam de depositar um vasto lixão naquele breve espaço que dominava seu cérebro. Em frações de segundos, seu intelecto virara um grande alojamento de imundices tolas, repugnantes e sórdidas. Seu olhar permanecia parado, fixo em um exato ponto, irreconhecível. Tentava encontrar sua razão, mas a única coisa que conseguia fazer era agir impulsiva e emotivamente, como uma criança, que não tem noção suficiente do mundo em que vive. Andava de um lado para o outro, na tentativa de encontrar explicação para o que estava acontecendo em sua vida. Pensava, pensava, e a única conclusão que tirava era vazia, oca, não a levava a lugar algum, apenas ao horizonte- que mais parecia um abismo. Estava atolada em indecisões, decepções, amores, paixões. Não sabia o que queria, porém, bem lá no fundo, já estava bem decidida. Pois então, punha-se a chorar. Chorar pelo rancor, pelo ódio, pelo sentimento de traição que se esparramava dentro daquele coração. Mas também, pelo amor, pelo afeto cheio de ardor que possuía com relação a algumas pessoas. Nem ousava pensar no que seria sua vida dali pra frente. Provocava dor, desespero, ou até o que poderíamos chamar de “claustrofobia" - pois ela temia que no futuro ficasse presa às antigas lembranças, de tal modo que não pudesse tocar em frente, e ficasse com os pés pregados ao chão, sem poder se movimentar. Àqueles olhos, o destino de seus dias parecia temeroso, assombrador, cheio de obscureza, desgraça e inglóriaA garota parecia uma presa correndo o mais rápido possível de seu audacioso predador, mas não conseguia achar um lugar que pudesse ficar segura, fora do alcance de qualquer um, por isso temia. Temia não encontrar escapatória. Temia até mais que podia.Sentia-se afogada, com água em estado de ebulição nos pulmões, e sufocada pelo próprio vento que batia em seu rosto. Era pressionada a decidir algo brevemente, antes que a areia da ampulheta finalizasse seu ciclo, antes que o relógio completasse uma volta de 360º, antes que qualquer um mudasse de ideia, e consequentemente, a fizesse mudar também.

 

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